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segunda-feira 08 2025

A DANÇA DO TORÉ

  

🥁 O Toré e a Luta Territorial do Povo Anacé

O Toré é a manifestação cultural e ritualística mais importante para os povos indígenas do Nordeste, e para os Anacé não é diferente. Ele não é apenas uma dança ou um canto, mas sim um instrumento fundamental de reafirmação de identidade, coesão social e resistência política.

1. O Toré como Força Política e Ritual

  • Comunicação com os Encantados: O Toré é o momento em que o povo se conecta com os Encantados e a força ancestral da terra. É um ritual sagrado onde os espíritos guiam e fortalecem o povo. Acredita-se que o canto e a dança abrem caminho para a intervenção do mundo invisível na luta pela terra.

  • Reafirmação Identitária: A realização do Toré, especialmente em espaços públicos ou em áreas de retomada, é um ato de visibilidade e denúncia. Ele demonstra publicamente a existência e a resistência do povo Anacé, combatendo a narrativa histórica de que eles teriam sido "extintos".

  • União Comunitária: O ritmo e o movimento coletivo do Toré fortalecem a coesão e a solidariedade entre os membros da aldeia, sendo essencial para manter o ânimo durante longos períodos de conflito territorial.

2. A Luta pela Terra Ancestral

A luta do povo Anacé está centrada na recuperação e na demarcação de seu território tradicional, que abrange áreas nos municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Esta luta é marcada por um intenso conflito com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).

Ameaças do CIPP

O CIPP, um dos maiores complexos portuários e industriais do Nordeste, avançou drasticamente sobre o território tradicional Anacé. Este avanço trouxe consequências devastadoras:

  • Deslocamento e Conflito: O avanço da indústria (como a Companhia Siderúrgica do Pecém - CSP, e parques eólicos) resultou na expulsão e no cerco de comunidades Anacé, forçando-as a disputar áreas que são essenciais para sua subsistência e vida ritual.

  • Destruição Ambiental: A instalação do complexo e a construção de estradas destruíram ecossistemas vitais para o povo, como o Lagamar do Cauípe (um espaço sagrado) e matas ciliares, afetando a pesca, a coleta e a medicina tradicional.

  • Prejuízo à Espiritualidade: A destruição de marcos territoriais (como as dunas e o lagamar) é vista como um ataque direto aos Encantados e à própria força espiritual do povo.

Estratégias de Resistência Anacé

Os Anacé utilizam uma combinação de estratégias políticas, legais e rituais para resistir:

  1. Ações Legais e Denúncias: Buscam o apoio de órgãos federais (como a FUNAI e o Ministério Público Federal) e denunciam as violações de direitos humanos e ambientais em nível nacional e internacional.

  2. Retomadas: Realizam retomadas (ocupações) de partes de seu território ancestral que foram tomadas por empreendimentos, marcando sua presença física e política.

  3. Mobilização Ritualística: O Toré é usado em todos esses momentos. Ele é dançado nas retomadas, em frente a órgãos públicos e em protestos, para invocar a proteção dos Encantados e fortalecer a união da comunidade.

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Presente nas manifestações culturais de diversos povos indígenas que vivem no Nordeste, o Toré é um ritual que une música, dança, espiritualidade, luta e brincadeira. Ele varia de acordo com a cultura de cada povo.

O Toré é uma dança ritual realizada por diversos povos indígenas, inclusive os tradicionais da bacia hidrográfica do rio São Francisco. É considerado o símbolo maior de resistência e união entre esses povos e uma das principais tradições das populações indígenas do Nordeste brasileiro e de Minas Gerais.

O ritual é passado de geração à geração e possui diversos significados. Cada povo possui seu toré próprio, mas, em geral, envolve uma dança circular ao ar livre, na qual os indígenas, em fila ou em pares, acompanham o ritmo da dança com cantos ao som de maracás, zabumbas, gaitas e apitos.

Há vários grupos de Toré pelo Brasil, um deles é o grupo de Toré do rio São Francisco. O samba de coco influenciado pelo Toré ficou conhecido como Coco de Toré, o Grupo Cultural Indígena Walê Fulni-ô e Pandeiro do Mestre são alguns dos grupos que cantam esse tipo de coco.

Nas últimas décadas, tem sido um ponto focal de afirmação de etnicidade na luta por reconhecimento e conquista territorial dos povos indígenas do nordeste brasileiro, historicamente estigmatizados na figura do caboclo.

O Toré se tornou, para os indígenas em contexto urbano, uma estratégia de sobrevivência econômica e um espaço de ensinamento indígena. Foi possível constatar que o Toré atravessa as dimensões ritualísticas, político-econômicas e ideológicas para se constituir num modo de reterritorialização subjetiva neste contexto urbano. Sua força reflete o poder da música de romper barreiras psicológicas e espaciais e transportar signos culturais, em constante reinvenção, sem perder a potência de expressão.

O SPI (Serviço de Proteção ao Índio), desempenhando seu papel de órgão indigenista oficial, adotou critérios como referência para estabelecimento da identidade indígena de um grupo, o inspetor do SPI no Nordeste passou a requerer, na primeira metade do século XX, a exibição da dança do toré para se atestar a indianidade dos indígenas no Nordeste, a partir do ritual desenvolvido pelos Fulni-ô, que foi o primeiro povo a ter um posto do SPI. Mesmo os grupos que apresentavam outras manifestações culturais (outras danças) incorporam o toré (ou a retórica do toré) como padrão de etnicidade. Passou, assim, a assumir espaço central na reelaboração cultural destes grupos. Além disso, à medida que um povo conseguia seu reconhecimento, intermediavam também os processos de outros povos que iniciavam sua reivindicação, pedindo ao órgão oficial que atuasse junto àqueles grupos ainda não reconhecidos. O toré era transmitido de um povo a outro, no que seria o processo de “levantamento da aldeia”. Contudo, cada povo estabeleceu seu regime próprio do toré, incorporando crenças e tradições próprias.

O fato de possuírem motivações étnico-políticas não retira do toré também suas referências religiosas e culturais. Ele foi reelaborado em cada povo de acordo com crenças locais.

Os grupos étnicos praticantes do toré realizam intercâmbios nas letras das canções, também chamadas de “pontos de toré”, levando a música de um povo a outro, ou mesmo trocam formas de dançar. Um ponto, portanto, que se torna logo evidente na configuração cultural emblemática dos índios do Nordeste é a posse de um símbolo comum, o compartilhar de uma ideologia expressa ritualmente que, embora com conteúdos e formatos alterados entre muitas dessas comunidades, é recorrente ao informar (e constituir) a indianidade nordestina. O toré, dessa forma, vem promovendo o referencial da autoctonia nordestina e vale ser apreendido de forma processual porque é justamente a sua dinâmica dentro dos e entre os grupos étnicos que vem ordenando a vida indígena no Nordeste.

Haveria ainda que se considerar aspectos culturais impostos aos índios pelas agências indigenistas em termos de sua organização social e política. O “regime tutelar” estabeleceu um modo de ser característico para todos os grupos indígenas assistidos pela agência indigenista que, em termos administrativos, caracteriza uma indianidade imposta pelo Estado. Esse modo de ser característico dos indígenas sob administração tutelar, contudo, não é referido pelos indígenas como emblemas que os torna indígenas, mas como um aparato necessário decorrente do fato de ser índio no Brasil.

A seguir estão listadas algumas das etnias indígenas do Nordeste que praticam o toré:

Potiguara (PB,CE,PE,RN); Kariri-xokó (AL); Pankararu (MG,PE,SP); Kiriri (BA);

Kambiwá(PE);Tumbalalá(BA);Xukuru(PE);Pitaguary(CE);Truká(BA,PE);Kalankó(AL);Kapinawa (PE);Pataxó (BA);Tremembé (CE);Pipipã (PE);Pankará (PE); Anacé (CE);

Koiupanká (AL); Tuxá (AL,BA,PE); Pataxó-hã-hã-hãe (BA); Atikum (BA,PE);

Tupinambá (BA); Xokó (SE); Kaimbé (BA); Karuazu (AL) e Kantaruré (BA).

Assim como aconteceu com outros ritmos nordestinos que foram difundidos pelo Brasil com a migração nordestina, o mesmo sucedeu com o Toré junto aos indígenas migrantes, por exemplo, o caso dos Pankararu, muitos destituídos de suas terras tradicionais no Pernambuco vieram para a cidade de São Paulo para construir o Estádio do Morumbi, hoje muitos desses Pankararu moram na favela do Real Park, e fazem seus Torés nos Conjuntos Habitacionais e espaços públicos da cidade.

FONTE: https://geografianordeste.wordpress.com/2017/05/31/tore/

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domingo 07 2025

MITOLOGIA ANACÉ

Os mitos e a rica espiritualidade do povo Anacé, que habita a região litorânea do Ceará, estão intimamente ligados ao seu território e à sua luta pela demarcação da terra e preservação do meio ambiente.

Embora os detalhes de narrativas mitológicas mais antigas (como histórias de criação) não estejam tão disponíveis em fontes públicas quanto suas crenças atuais, a força da sua cosmologia reside na relação com os Encantados e o território ancestral.

Aqui estão alguns dos aspectos centrais de suas crenças e "mitos" (entendidos como narrativas sagradas e fundadoras):

✨ Os Encantados e a Espiritualidade

  • A Corrente dos Encantados: Esta é uma das crenças espirituais mais importantes e mobilizadoras. Os Encantados são espíritos ancestrais e seres de força que protegem o povo e o território. A "corrente dos encantados" é uma força espiritual que atravessa a terra Anacé (incluindo marcos físicos como lagoas e matas) e atua na sua resistência e renascimento étnico.

  • O Morro/Mata dos Encantados: Lugares específicos no território, como a mata do Cai a Canga (na aldeia Matões), são considerados sagrados e são fontes de renovação espiritual e força ancestral. Relatos contam que, no morro, há um grupo de Encantados que, ao entrar no mar em noites escuras, norteia os pescadores no retorno à terra firme.

  • O Invisível Existe: Lideranças Anacé falam sobre a certeza da existência de um mundo invisível, onde os Encantados residem. Sentem que há "muito mais gente te observando" do que as que se veem, e que o invisível existe e se manifesta.

  • Encantaria Anacé e Retomadas: A sabedoria da encantaria Anacé (os Encantados) é quem informa o melhor local e período para as ações de retomada (ocupação e reivindicação de terras ancestrais), guiando as decisões dos guerreiros e lideranças.

🏞️ A Sacralidade do Território

  • O Lagamar do Cauípe: Esse complexo de lagoa, rio e dunas não é visto como uma paisagem comum ou recurso econômico, mas sim como um espaço sagrado que precisa ser protegido. O povo acredita que ali vivem seus deuses e passeiam os espíritos. Há a referência à Lagoa do Gereraú sendo designada como Pai Lagamar.

  • Conexão com a Mãe-Terra (Natureza): A espiritualidade Anacé estabelece uma conexão profunda com a Terra, as plantas e os animais, tratando-os como parentes. É regra no povo que quem destratar a Mãe-Terra (por exemplo, vendendo-a) não pertence mais ao povo Anacé. O ato de cuidar da terra é um ato de cura para "aquele ser que é a Terra".

🩸 Memória e Origem

  • O Massacre da Lagoa do Banana: Embora seja um evento histórico trágico, a narrativa recorrente sobre o massacre de centenas de indígenas que fez a lagoa "virar um mar de sangue" funciona como um mito de origem de sua identidade coletiva e marca a resistência contra a violência do colonizador.

A cosmologia e as crenças dos Anacé, portanto, não apenas explicam o mundo, mas também sustentam sua luta atual por autonomia e demarcação territorial no Ceará, especialmente contra grandes empreendimentos como o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).


sábado 06 2025

O ASSOBIADOR - Povo Anacé 2008

  

FONTE: Canal Povos indígenas no Brasil

NO VÍDEO

"(...) - A QUESTÃO DO MUNICÍPIO, NÉ CONCEIÇÃO, O MUNICÍPIO DE SÃO GONÇALO DO AMARANTE QUE ANTIGAMENTE ERA ANACETABA.

- UM NOME TÃO BONITO E HOJE ESCONDIDO (...) FICA ESCONDENDO ESSA HISTÓRIA TÃO BONITA (...) ESCONDE POR PURA VERGONHA..."

sexta-feira 05 2025

(NOTÍCIA-2023) 'EXTINTOS", ESQUECIDOS E AMEAÇADOS: INDÍGENAS DO CEARÁ LUTAM PELA PRÓPRIA TERRA, SAÚDE E EDUCAÇÃO.

Tapebas, Anacés, Pitaguarys e Jenipapos-Kanindé compartilham processos contra apagamento histórico e remoção de terras tradicionalmente ocupadas


Extintos por mais de 100 anos da história oficial do Ceará, os povos indígenas que habitam o Estado vivenciam um processo de recuperação étnica desde a década de 1970. Depois de viverem escondidos para não sofrerem novos massacres, hoje lutam pela demarcação de terras e direitos básicos, como saúde, educação e saneamento.

(...)
Antes de lutar por decisões práticas, os indígenas cearenses precisaram confirmar a própria existência. O Estado viveu um processo de colonização tardio, quando comparado a outras capitanias nordestinas, como Pernambuco e Bahia, e os povos originários que aqui residiam manifestaram ampla resistência ao avanço dos portugueses.

Pouco a pouco, de massacre em massacre, foram sendo empurrados do litoral para o interior do Estado, criando diferentes fluxos migratórios. A negação de sua existência foi assinada até mesmo em papel: em 1863, o então presidente da Província do Ceará, José Bento da Cunha Figueiredo, declarou à Assembleia Legislativa que a população indígena cearense estava extinta. 

O decreto acabou oficializando a expropriação das terras dos povos originários. Um contrassenso, pois o próprio nome do Estado vem de “siará”, que significa “canto da jandaia” - na linguagem tupi, um tipo de papagaio. 

Segundo o memorial da Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Ceará (Fepoince), para se pouparem e protegerem as próprias vidas, eles “tiveram que permanecer em silêncio sobre suas etnicidades por mais de um século”.

Só nos anos 1970, a mobilização social no Ceará tirou os indígenas da invisibilidade e passou a exigir a efetivação de seus direitos, iniciada pelos povos Tapeba, Tremembé, Pitaguary e Jenipapo-Kanindé. 

Hoje, existem 15 povos indígenas no Estado, espalhados pelo litoral, serra e sertão.

Indígenas na RMF

Veja as principais informações sobre os povos que vivem ao redor de Fortaleza



O movimento de retomada - como eles chamam a reaquisição de terras e direitos - ganhou força em 1984, quando o cardeal Dom Aloísio Lorscheider criou a Pastoral Indigenista na Arquidiocese de Fortaleza e se engajou pessoalmente na causa. 

Em 1989, a nova constituição estadual não só reconheceu a existência de indígenas no Ceará como comprometeu seus organismos públicos a darem-lhe assistência.

Nos últimos 50 anos, o autorreconhecimento foi ganhando força. O Censo de 2000 indicava uma população de 12.198 indígenas no Estado. No levantamento seguinte, em 2010, o número cresceu para 20.697. Em 2015, estimativa do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) já dava conta de 29.211 pessoas.

Juliana Alves, a Cacika Irê do povo Jenipapo-Kanindé, titular da inédita Secretaria dos Povos Indígenas do Governo do Ceará (Sepince), explica que hoje a população total já pode ter passado de 50 mil. O número atualizado deve sair com a finalização do Censo 2022.

A gestora reconhece que a demarcação é necessária para todas as comunidades, mas não será a única política pública articulada institucionalmente. Entre as áreas que devem ser discutidas, estão:

  • esporte e lazer para a juventude, com demandas por areninhas, bibliotecas e academias populares;
  • emprego e renda, porque ainda há precariedade de negócios próximos às comunidades tradicionais;
  • apoio às mulheres indígenas;
  • educação escolar indigena e formação de professores.

“Claro que são ações que não vamos demandar a curto prazo, são a médio e longo. Vamos trabalhar com várias pastas, sempre com muito diálogo com o governador e outros secretários”, projeta Irê.

Atualmente, além de articulações próprias e de contar com o apoio de organizações da sociedade civil, as comunidades indígenas também necessitam de cooperação com outros órgãos públicos para fiscalizar a efetivação das leis.

O Diário do Nordeste questionou à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), desde o dia 9 de fevereiro, como está o andamento do processo de demarcação dos quatro povos mencionados; como monitora situações de ameaça/violência contra eles e que diagnóstico possui quanto à necessidade de saúde, saneamento e educação dessas populações. Porém, decorridas três semanas, não houve resposta.

Em nota, o Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) informou que pode atuar na defesa dos direitos indígenas a partir de demandas recebidas da sociedade e por iniciativa própria, quando toma conhecimento de possíveis atos que atentem contra a legislação brasileira e contra os direitos assegurados aos cidadãos. 

“Nos últimos anos, o órgão atuou em temas como segurança, saúde, alimentação e demarcação de terra indígena na Região Metropolitana de Fortaleza”, esclarece. Entre as ações, estão pedidos de manutenção da infraestrutura de escolas e do impedimento à venda e locação ilegais de imóveis a não indígenas.

Ameaças constantes

Embora tenha havido conquistas, essa trajetória também foi marcada por inúmeras ameaças de violência contra lideranças que tomaram a frente dos processos demarcatórios, ao enfrentarem interesses comerciais ou empresariais em suas respectivas áreas.

Paulo França Anacé teve um revólver apontado para a própria cabeça. Elber Anacé já foi vigiado e impedido de ficar em casa. Clécia Pitaguary recebeu ligações perguntando por que não havia seguido o caminho de sempre, onde seria emboscada e morta. Os Tapebas ainda têm receio de se manifestarem publicamente de forma mais enérgica.

“Ainda há o estereótipo do indígena como povo da mata, mas no Nordeste, houve uma agressão diferente. O povo de outras regiões tem minérios que funcionaram como moeda de troca; aqui, a gente só tem a terra”, reflete o pedagogo Elber Anacé, jovem liderança desse povo em Caucaia.

Mesmo com a garantia de forças de segurança de que não há mais riscos como há alguns anos, Clécia Pitaguary ainda não consegue “andar de peito aberto”. A comunicação com ela ainda é intermediada, os itinerários são calculados, a família também é orientada a se cuidar.

“Existe um projeto de destruição que a gente não permite. Já tive muitos conflitos, denunciei várias vezes, me ameaçaram na frente dos policiais. Tem gente grande que se incomoda, mas também tem gente pequena que não gosta”, afirma Clécia.

Questionamos à Polícia Federal no Ceará (PF-CE) como a PF atua nesses casos e se há um monitoramento permanente quanto a essas situações. O órgão respondeu que não se manifesta e que as investigações em curso seguem em sigilo legal. Também ressaltou que recebe notícias de crime através dos canais oficiais disponíveis. 

Educação diferenciada

Como levantado pela Cacika Irê, um dos pontos de atenção dos povos indígenas cearenses é a educação, entendida como modificadora da realidade. Atualmente, a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) mantém 39 escolas indígenas (EI), com matrícula superior a 7 mil estudantes. Do total de unidades, 14 ficam na Região Metropolitana.

Uma delas é a Escola Ita-Ara, do povo Pitaguary, em Pacatuba, inaugurada em 2009. Antes, a casa de apoio da comunidade era que funcionava como espaço educacional. “A intenção da construção da escola partiu da necessidade de manter nossa cultura viva”, comenta a professora Vitória Pitaguary, 27.

A gente recebe a grade curricular, mas procuramos inserir algo da nossa cultura para que ela não morra. Nossos troncos velhos estão morrendo, então temos que passar para a base. Fazemos inclusive noites culturais e envolvemos toda a comunidade, a cada 2 ou 3 meses.

quarta-feira 03 2025

TABA DOS ANACÉ - 2019

 
FONTE: Canal Iago Barreto - 2019

NO VÍDEO:

  • Genocídio.
  • Língua perdida.
  • Preconceito: Provar que é indígena.
  • Relocação: moradia.
  • Adaptação.

terça-feira 02 2025

A HISTÓRIA DE UM RESGATE

 A HISTÓRIA DE UM RESGATE HISTÓRICO 

Em 2015, fui transferido para a escola Professora Maria do Socorro Gouveia, na função de diretor adjunto. Depois de conhecer toda a comunidade escolar, ver a infraestrutura da escola, a parte pedagógica... etc. Algumas adaptações foram necessárias, como por exemplo, a mudança de local do Laboratório de Informática e a sala do AEE, dentre outras. Percebi a falta de algo, um documento que falasse sobre parte da história da escola: a Patronesse. Não havia foto nem texto que falasse sobre ela.

Fui em busca de informações. Falei com algumas pessoas e disseram-me que havia um quadro da Socorro Gouveia no depósito. Fui até lá... uma bagunça! quem encontraria algo naquela situação!!? Dois dias depois, tomei coragem e fui tentando andar naquele amontoado de coisas quebradas e claro, muita poeira! Certo dia, no centro da sala, embaixo de um birô quebrado estava ao chão o tal retrato sujo e com algumas manchas. Retirei a relíquia de lá banhado de suor... com cuidado, levei meu "tesouro histórico" à uma das mesas de ping-pong no pátio da escola. Com bastante cuidado abri o quadro e tentei retirar a foto para limpeza. Poxa vida, a foto estava grudada no vidro do quadro e, com muito jeito tentei desprendê-la... Meu Deus, a foto rasgou. A face direita da patronesse foi 90% danificada. Poxa vida, poxa vida e agora?! Lembrei de um colega em São Luís do Curu que fazia minhas coisas de informática e perguntei-lhe se ele restaurava fotos. UFA! Ele restaurava! Levei a foto para ele que passou 3 dias para devolver.

Situação da foto em preto-e-branco (tamanho A-4):

  • Manchas amareladas pela foto.
  • Face direita comprometida.
  • Vestimenta prejudicada pelas manchas.
Solicitação de restauro:
  • Limpeza das manchas amareladas.
  • restauro da face direita.
  • Dar cor à foto (foto era em preto-e-branco).
  • Trocasse a roupa da patronesse.
  • Aumentar o tamanho da foto (2 vezes A-4).
  • Impressão em papel 60kg.
No dia da entrega, a foto da patronesse estava melhor do que antes. Colorida, com novas vestimentas, face refeita, um  brilho de vida. Pulei de alegria! Mandei fazer duas impressões grandes coloridas e uma com um moldura virtual.

Na escola, soube que no 5º ano estudava uma sobrinha-neta da Socorro Gouveia. A chamei e falei pra ela que precisávamos recuperar a história da tia dela e a proposta foi ela, aluna, escrever um pequeno texto que falasse um pouco da vida de sua tia-avó. E assim, foi feito e foto e biografia foram disponibilizadas na Biblioteca para alunos e professores conhecerem a Pessoa que deu nome à Escola.

Veja como ficou a restauração da foto da Patronesse da escola Socorro Gouveia:



Professor Gneto Lopes

segunda-feira 01 2025

SÉRIE "Escolas Municipais": Escola Porfírio de Araújo

ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL PORFÍRIO DE ARAÚJO - Croatá

   PATRONO   


PORFÍEIO JOSÉ DE ARAÚJO

A Escola Porfírio de Araújo começou suas atividades em 6 e fevereiro de 1995, funcionando algumas turmas no prédio do Clube da Mocidade Croataense (CMC) e outras turmas no Grupo Escolar, posteriormente Escola Estadual Adelino Alcântara Filho.

A demanda aumentou e os dois espaços ficaram pequenos para o quantitativo de alunos. Então, em 1997 dá-se início a reforma do prédio do mercado de carnes, ora sem uso, adaptando suas instalações à infraestrutura de escola. Lembrando que o terreno onde fora construído o mercado foi doado pelo bem-feitor Porfírio José de Araújo, Patrono da escola.

Em 12 de fevereiro de 1998, na gestão do então Prefeito Raimundo Nonato da Silva Neto, foi inaugurada a primeira sede da Escola de 1º Grau Porfírio de Araújo.


Com  o passar do tempo, mesmo num prédio próprio, a demanda de alunos continuou à crescer e surgiu um anexo na Escola de Ensino Médio Adelino Alcântara Filho. Lá, havia salas de aulas disponíveis à Escola Porfírio. Isso se deu até o término das obras do novo prédio e segunda sede desta escola localizada à rua Valdo Uchoa.

Em junho de 2017, na gestão do Prefeito Francisco Claudio Pinto Pinho, terminam-se as obras do novo prédio, da nova sede da escola Porfírio de Araújo. Um prédio amplo com infraestrutura adequada aos novos tempos da Educação. 

Em 2024, a prefeitura de São Gonçalo, na pessoa do Sr. Prefeito Marcelo Teles entrega à comunidade croataense a Sede da escola porfírio totalmente reformada.



   NOSSAS LOGOMARCAS   

1ª LOGO



Criada pela Coordenadora Pedagógica I, Cecília Kelma Rocha, em 2011.

2ª LOGO

Criada em 2013 pelo Coordenador Pedagógico II, Gneto Lopes.

3ª LOGO


Criada em 2017 pelo Diretor Financeiro, "Sinhorzinho".

4ª LOGO - Atual

Criada por aluno através de Concurso realizado na escola.


domingo 30 2025

CAVALGADA E FÉ

 

O município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará, possui uma forte tradição de eventos ligados à cultura equestre e à fé católica:

  • Cavalgada de Nossa Senhora da Soledade: É uma manifestação religiosa importante que acontece anualmente no dia 7 de setembro.

    • Percurso: A cavalgada parte da Sede do município e segue em direção ao distrito de Siupé.

    • Significado: Este evento é uma marca da fé católica e da tradição no município, envolvendo um grande número de fiéis e cavaleiros.

🐎 O Contexto da Cavalhada Tradicional

A Cavalhada no sentido folclórico mais amplo, como as de Pirenópolis (GO) e Amarantina (MG), é uma representação de lutas medievais que remonta às tradições europeias da Idade Média.

  • Temática: Ela encena a batalha entre dois exércitos de cavaleiros: os Cristãos (vestidos de azul) e os Mouros (vestidos de vermelho), culminando, geralmente, na vitória dos cristãos e na conversão dos mouros, simbolizando a paz e a confraternização.

  • Elementos: A encenação envolve corridas, provas com lanças e espadas, e a participação de personagens como rei, rainha, príncipes e embaixadores, todos com ricas fantasias.

Embora o Ceará possua a Dança de São Gonçalo como patrimônio imaterial, a Cavalhada, no formato de encenação medieval, não é o evento equestre mais proeminente e documentado no município de São Gonçalo do Amarante/CE como sendo de tal natureza. A Cavalgada de Nossa Senhora da Soledade é o evento a cavalo de destaque no calendário religioso de São Gonçalo do Amarante, Ceará.