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domingo 21 2025

PADROEIROS CATÓLICOS DOS DISTRITOS 🕍

CALENDÁRIO DAS FESTAS DOS PADROEIROS 

UMARITUBA - São Pedro.
CROATÁ - N. Senhora do Carmo + Santo Antônio (Violete) + Santa Luzia (Lagoa do Mato).
SERROTE - Nossa Senhora de Fátima.
CÁGADO - (Livro não menciona).
SIUPÉ - Nossa Senhora da Soledade.
TAÍBA - São Francisco.
PECÉM - São Luiz de Gonzaga.
SEDE - São Gonçalo do Amarante.

FONTE: Livro Taba dos Anacés / Autor: Overlan G. Coprreia / p. 26.

sábado 20 2025

SGA - Dados e Origem

 

Dados do município/localização

 Fundação: 27/11/1868
 Emancipação Política: 27 DE NOVEMBRO
 Gentílico: GONÇALENSE
 Unidade Federatíva: CEARÁ
 Mesorregião: NORTE CEARENSE
 Microrregião: BAIXO CURU
 Distância para a capital: 55 KM

Dados de características geográficas

 Área: 842.635,00
 População estimada: 54143
 Densidade: 64,25
 Altitude: 30
 Clima: TROPICAL ATLÂNTICO E SEMIÁRIDO BRANDO
 Fuso Horário: UTC - 3

Origem

Distrito criado com a denominação de Paracuru, por pela Lei Provincial n.º 1.020, de 14-11-1862 e por Ato Provincial de 06-07-1863.
Elevado à categoria de vila com a denominação de Paracuru, pela Lei Provincial n.º 1.235, de 27-11-1868, desmembrado de Trairi. Sede na povoação de Alto Alegre do Paraisinho.
Pela Lei Provincial n.º 1.604, de 14-08-1874, a vila é extinta, sendo seu território anexado ao município de Trairi. Esta mesma lei transfere a sede para Trairi.
Elevado à categoria de município com a denominação de Paracuru, pelo Decreto Estadual n.º 73, de 01-10-1890, desmembrado de Trairi. Sede no núcleo de Paracuru. Constituído de 2 distritos: Paracuru e São Gonçalo. Instalado em 25-10-1890.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 2 distritos: Paracuru e São Gonçalo.
Pela Lei Estadual n.º 1.841, de 17-08-1921, é transferida a sede do município da povoação de Paracuru para a de São Gonçalo.
Pela Lei Estadual n.º 1.936, de 12-11-1921, o município de Paracuru passou a denominar-se São Gonçalo.
Pela Lei Estadual n.º 2.368, de 30-07-1926, a sede do município volta a denominar-se Paracuru.
Pelo Decreto n.º 193, de 20-05-1931, o município de Paracuru adquiriu o extinto município de Trairi, como simples distrito.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município aparece constituído de 8 distritos: Paracuru, Mundaú, desmembrado de Trairi, Passagem do Tigre, Pecém, São Gonçalo, Serrote, Siupé e Trairi.
Pelo Decreto n.º 64, de 07-08-1935, é transferida a sede novamente de Paracuru para São Gonçalo e deu ao município esta denominação.
Em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, o município já denominado São Gonçalo é constituído de 8 distritos: São Gonçalo, Mundaú, Passagem do Tigre, Paracuru, Pecém, Serrote, Siupé e Trairi.
Pelo Decreto Estadual n.º 448, de 20-12-1938, o distrito de Passagem do Tigre passou a denominar-se simplesmente Tigre. Sob o mesmo Decreto o município de São Gonçalo adquiriu o distrito de Umarituba (ex-Umari) do município de Souré.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 9 distritos: Sã Gonçalo, Mundaú, Tigre (ex-Passagem do Tigre), Paracuru, Pecém, Serrote, Suipé, Cuprituba (ex-Umari) e Trairi.
Pelo Decreto-lei Estadual n.º 1.114, de 30-12-1943, o município de São Gonçalo passou a denominar-se Anacetaba e o distrito de Tigre a denominar-se Paraipaba.
Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o município já denominado Anacetaba é constituído de 9 distritos: Anacetaba, Mundaú, Paracuru, Paraipaba (ex-Tigre), Pecém, Serrote, Siupé, Trairi e Umarituba.
Pela Lei Estadual n.º 1.153, de 22-11-1953, o município de Anacetaba passou a denominar-se São Gonçalo do Amarante. Sob o mesmo Decreto são desmembrados do município de São Gonçalo os distritos de Trairi e Mundaú para constituírem o novo município de Trairi e ainda são desmembrados os distritos de Paracuru e Paraipaba para constituírem novo município de Paracuru.
Em divisão territorial datada de 1955, o município é constituído de 5 distritos: São Gonçalo, Pecém, Serrote, Siupé e Umarituba.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960.
Pela Lei Estadual n.º 6.512, de 05-09-1963, é criado o distrito de Croatá e anexado ao município de São Gonçalo do Amarante.
Pela Lei Estadual n.º 6.664, de 14-10-1963, são desmembrados do município de São Gonçalo os distritos de Pecém e Siupé para formar o novo município de Recém.
Pela Lei Estadual n.º 8.339, de 14-12-1965, o município de São Gonçalo do Amarante adquiriu os distritos de Pecém e Serrote, pois o município de Pecém foi criado e não instalado.
Em divisão territorial datada de 31-XII-1968, o município é constituído de 6 distritos: São Gonçalo do Amarante, Croatá, Pecém, Serrote, Siupé e Umarituba.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VIII-1983.
Pela Lei Municipal n.º 11.207, de 1986, é criado o distrito de Taiba e anexado ao município de São Gonçalo.
Em divisão territorial datada de 1988, o município é constituído de 7 distritos: São Gonçalo do Amarante, Croatá, Pecém, Serrote, Siupé, Taiba e Umarituba.
Em divisão territorial datada de 2013, o município é constituído de 8 distritos: São Gonçalo do Amarante, Cágado, Croatá, Pecém, Serrote, Siupé, Taiba e Umarituba.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2022.

FONTE: https://www.saogoncalodoamarante.ce.gov.br/omunicipio.php

sexta-feira 19 2025

O EQUÍVOCO NA IMAGEM DE SÃO GONÇALO

 
Página 33


Página 34


Página 35


FONTE: Livro Taba dos Anacés / Autor: Overlan G. Correia

quinta-feira 18 2025

POESIA 📜 São Gonçalo de ontem e de hoje

 SÃO GONÇALO DE ONTEM E DE HOJE
AUTOR: Gildenor Barbosa

I
Na década de cinquenta
São Gonçalo ainda muito atrasado
Graças a homens ilustres
Não era mais Anacetaba
Nome que anteriormente
Na boca de muita gente
Era muito criticado

II
A comarca era no Arraial
Que sufoco esse povo sofria
Pra falar com o Magistrado
Mais de uma semana perdia
Fazendo um percurso de atalho
De pés, de jegue ou a cavalo
Era de fato muita agonia

III
Para Paracuru ia e voltava
Muitas vezes aconteceu
Por força de chefe político
Que há muito tempo faleceu
Foi para Sôre, hoje Caucaia
Na época houve muita vaia
E muita gente sofreu

IV
O comércio tão pequeno
Que você nem imagina
Seu Dondon no Arapixi
Seu Doca no centro sozinho
Dondon vendendo mescla a Zé Nuto
Também chapéu a matuto
Fumo de rolo e sombrinha

V
Nenhuma avenida existia
Para encontro das pessoas
Rodeavam em torno da igreja
Pra não ficarem tanto a toa
Para que todos entendam
Ainda saiam dizendo
Ô Meu Deus que coisa boa.


FONTE: Livro A história de São Gonçalo - O São Gonçalo do Amarante que me contaram e o São Gonçalo que eu conheci / p. 52, 53 / Autor: José Francisco de Lima Ferreira (Major lima)

quarta-feira 17 2025

POESIA 📜 Pescadores da Taíba

Imagem: Pinterest

PESCADORES DA TAÍBA
AUTOR: Álvaro Martins


As dunas têm perfeito acabamento
De fina alvenaria,
Posto sejam em contínuo movimento,
Cirandando remota alegoria.
As dunas são tecidas d seus lenços:
Ampulhetas enormes, velhos sinos
De doidos pensamentos
Badalando galopes beduínos.
As dunas são efêmeras,
Mas, num dado momento, estão eternas,
No solene silêncio das quimeras.
Mulheres bronzeadas que se estendem,
Com sempre renovada pele tenra,
As dunas se sucedem.

Incontável cardume deu à praia:
Foi instante de quase eternidade.
Eram mil diamantes,
Mais a mais ofuscante claridade
De laca, madrepérola, de jade
Em maravilhoso átimo na areia.
Maré cheia,
O ar levou de volta o que era seu.
E se perdeu,
Na imagem que se esvai,
Rara oportunidade de um haicai.


Uma estrela do mar,
Algumas conchas,
Um pequeno hipocampo,
Velho búzio,
Os corais retirados do arrecife,
Duas boias perdidas nas bonanças,
Mais três ou quatro coisas
Se compõem
Num colar de marinhas esperanças.


Neste trato e sol, areia e sal
Deságua, exausto e só,
Tênue e trêmulo tracinho de água doce,
Aqui findou-se,
Sumindo no mar,
A dura peleja
Da nascente Miranda,
Quase nada,
Com ondas salgadas,
Onde veio, tranquila, se entregar.


E trouxe e traz e doa,
A quem quiser,
Água fria no peito-de-pé,
Lembranças serranas.
À praia plana,
Onde morre e acaba, 
Oferece,
Em primeira e derradeira prece,
A alegria miúda das piadas.


Ao pescador não importa
Os sinais cá da terra:
Só lhe toca a leitura,
As linhas tortas,
Do voo que passou.
Sempre acerta.
Tem ouvidos aos lampejos que o mar diz,
Lê na pauta deste arco sob o céu,
Sabe ver quando é tempo e não maldiz,
Jamais,
Gesto que vem dos bisavós dos pais,
O significado das marés.


Quem primeiro o contou
Há muito que partiu.
Até mesmo quem disse,
Já faz tempo, que tudo era crendice,
A contagem dos meses consumiu.
E essa história de vento e maresia,
Logo enredo de lenda e fantasia,
É parte inarredável da paisagem,
Tal qual estes coqueiros e as jangadas,
O canto agora extinto da jandaia,
A lua sobre o mar o plenilúnio,
Temores de infortúnio,
Tudo já tão cantado e recantado.
As palavras passeiam,
E é difícil se essas pegadas na areia molhada
São rastro de vivente ou de visagem.


E de repente exsurge, em pleno breu,
Uma festa de luzes:
Candelabros e cruzes
No perfil de um navio iluminado.
Sob a branca bandeira da memória
Demanda a trajetória
Traçadas pelos barcos do passado,
Falas fenícias se fundem nos ares
Às vozes ancestrais
Dos portos derruídos e dos cais,
Numa bela babel de sete mares.
Zrpa agora o navio afortunado
E talvez rume,
Numa canção de remos e naufrágios,
A alguma tropical última Tule.

FONTE: Livro A história de São Gonçalo - O São Gonçalo do Amarante que me contaram e o São Gonçalo que eu conheci / p. 56-59 / Autor: José Francisco de Lima Ferreira (Major lima)

terça-feira 16 2025

AS ALDEIAS DA RESERVA TABA DOS ANACÉ

Foto: Diário do Nordeste
A Reserva Indígena Taba dos Anacé, com 543 hectares, abriga comunidades que viviam dispersas entre Caucaia e São Gonçalo do Amarante. Elas foram reunidas em 2018 para mitigar os impactos causados pelo Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). 
Abaixo, detalhes sobre as comunidades que formam a reserva:
1. Matões
Originalmente localizada em Caucaia, era uma das comunidades mais populosas. No território tradicional, os moradores viviam integrados às matas e lagoas, subsistindo da caça, pesca e agricultura de troca. É onde se concentram fortes lideranças espirituais; rituais como o Toré são fundamentais para manter a conexão com a ancestralidade e o território atual. 
2. Bolso
Originária do município de São Gonçalo do Amarante. Assim como Matões, sofreu com desapropriações históricas para a expansão industrial da região. Na nova reserva, a comunidade do Bolso trabalha para reconstruir sua identidade coletiva, focando no resgate de memórias dos idosos e na preservação de práticas culturais tradicionais. 
3. Currupião
Uma das quatro aldeias integradas ao projeto de reassentamento. Seus membros partilham da história de resistência Anacé, que remonta a 1630. Atualmente, os jovens desta comunidade são ativos no ressurgimento cultural, praticando danças típicas como o Coco e o Toré para fortalecer o sentimento de pertencimento ao novo lar. 
4. Baixa das Carnaúbas
Compõe o grupo de famílias remanejadas para a Taba dos Anacé em busca de segurança territorial. Junto às outras aldeias, usufrui da infraestrutura de casas de alvenaria e serviços básicos. A comunidade está envolvida na luta por um progresso sustentável que respeite a vegetação nativa e a agricultura familiar de raiz. 
Estrutura Comum:
Todas as aldeias compartilham espaços coletivos na reserva, incluindo:
  • Educação: A Escola Indígena Direito de Aprender atende as crianças de todas as comunidades com ensino diferenciado.
  • Saúde: Um posto de saúde construído em padrão indígena para atender as 163 famílias residentes.

 

MAIS INFORMAÇÕES
(Clique Aqui)

segunda-feira 15 2025

DJ RAPHA ANACÉ - Tecno Tapera 🔊🎵🎵🎵

 

DJ RAPHA ANACÉ MISTURA CANTOS TRADICIONAIS DE POVOS INDÍGENAS COM BATIDAS ELETRÔNICAS

DJ Rapha Anacé Tapera tem objetivo de preservar e espalhar saberes ancestrais

A união do toré, coco e outros sons ancestrais dos Anacés — povo indígena cearense que habita territórios em Caucaia e São Gonçalo do Amarante — com batidas eletrônicas tem sido instrumento de afirmação de identidade e salvaguarda de memória. O movimento é fruto do Tecno Tapera, projeto do jovem DJ e liderança Rapha Anacé, cuja atuação artística e política almeja um objetivo: “Fortalecer a comunidade”.

FONTE: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/dj-rapha-anace-mistura-cantos-tradicionais-de-povos-indigenas-com-batidas-eletronicas-1.3455409

sábado 13 2025

A DEMARCAÇÃO DA TERRAS ANACÉ

 

A demarcação das terras indígenas Anacé, no Ceará, é um processo longo e complexo, envolvendo estudos pela Funai, declaração de limites e homologação, com avanços significativos recentes como a homologação da Terra Indígena Pitaguary e Tremembé de Queimadas em 2025, e a entrega da primeira reserva indígena (Anacé/Parque do Ceará) em 2018, com infraestrutura, enquanto a luta continua pela demarcação final de outras áreas e contra o "marco temporal", com o MPF e Defensoria recomendando a retomada dos estudos para garantir os direitos tradicionais do povo Anacé. 
Histórico e Avanços:
  • Luta Antiga: O povo Anacé luta por terras e reconhecimento desde, pelo menos, 1630, buscando preservar seu ambiente e cultura.
  • Marco em 2018: Foi entregue a primeira reserva indígena do Ceará aos Anacé (Parque do Ceará), com infraestrutura como água, saneamento, escola e UBS, resultado de parceria com o governo estadual.
  • Retomada de Estudos: Em 2024, o MPF e a Defensoria Pública do Ceará recomendaram a retomada dos estudos para demarcar terras reivindicadas pelos Anacé.
  • Homologações Recentes: Em 2025, o governo federal homologou terras indígenas no Ceará, como Pitaguary e Tremembé de Queimadas, mostrando um avanço geral na política indigenista.
  • Demandas Atuais: Os Anacé ainda buscam a demarcação de áreas, enfrentando obstáculos como o "marco temporal" (que restringe demarcações à data da Constituição) e buscando direitos à água e cultura. 
Etapas da Demarcação (Geral):
  1. Estudos de Identificação: Realizados pela Funai.
  2. Aprovação e Contestações: Processo de aprovação e possíveis contestações.
  3. Declaração de Limites: Definição dos limites pelo Ministério da Justiça.
  4. Demarcação Física: Sinalização da área.
  5. Homologação: Ato final do Presidente da República.
  6. Registro: Registro em cartório. 
Desafios Atuais:
  • A luta pela demarcação de terras tradicionais continua, com foco na garantia de direitos territoriais e no respeito à cultura Anacé.
  • O debate sobre o "marco temporal" e a aprovação de leis que o instituíram (apesar da decisão do STF) ainda impactam os processos. 
ENTÃO, ESSA ÁREA ABAIXO É PROVISÓRIA?


quinta-feira 11 2025

INDÍGENAS DO CEARÁ: A LEI DE TERRAS (2013)

Indígenas do Ceará: A Lei de Terras

No ano de 1850 a monarquia brasileira baixou a Lei de Terras. Por essa lei as terras dos índios não eram devolutas – isto é, não poderiam ser consideradas desocupadas – constituindo-se a propriedade um título originário (ou seja, a propriedade os índios sobre suas terras viria do simples fato deles serem indígenas).  Portanto, as terras dos antigos aldeamentos pertenciam aos nativos.

A Lei de 1850, no entanto, foi mais um golpe para os povos naturais. As elites e mesmo o Estado começavam então a usar diversos artifícios legais para declararem extintas as populações dos aldeamentos e com isso liberarem as terras para os latifundiários. Passou-se a considerar devolutas terras dos antigos aldeamentos, desde que despovoadas pelos índios. Em 1860, o governo foi autorizado a aforar ou vender essas terras. Então muitos presidentes das províncias, que antes solicitavam verbas para sustentar os seus índios, informavam agora que não existiam mais índios em suas províncias, ou que certos aldeamentos eram ocupados por falsos índios ou mestiços civilizados. Após um levantamento feito pela Repartição Geral das Terras Públicas, a partir de 1855 muitas aldeias habitadas por índios foram desse modo, declaradas devolutas.

Assim a apropriação pelos brancos das pouquíssimas terras indígenas restantes foi “legalizada”. O presidente do Ceará José Bento da Cunha Figueiredo Junior, em seu relatório à Assembleia Legislativa em 1863, declarava extintos os índios locais, pois todos já estariam civilizados e miscigenados por completo com a população, formando os caboclos.      Os nativos cearenses perdiam assim, o direito de existir. Mas eles não desapareceram! Claro que houve miscigenação, e boa parte dos nativos foi morta,  vitimas da violência, dos assassinatos, das doenças e da exploração feita pelos brancos. Mesmo assim, os remanescentes continuaram existindo, sufocados, silenciosos muitas vezes, apesar do que foi propagado por décadas pelos meios oficiais, e mesmo intelectuais segundo os quais não havia mais índios no Ceará. 

Apenas nos anos 1980, no contexto da luta e mobilização da sociedade contra a Ditadura Militar (1964-1985), o movimento indigenista local se rearticulou, com o apoio do então arcebispo de Fortaleza Dom Aloísio Lorscheider, que teve a coragem de enfrentar certos segmentos conservadores.  O arcebispo chegou a ser chamado de “homem de imaginação fértil, por querer recriar um Brasil pré-cabralino, habitado por silvícolas”. 


 localização dos povos indígenas no Ceará - mapa do acervo do Museu do Ceará

Hoje se calcula que o Ceará tem mais de 22 mil índios, formando 12 povos divididos em 58 comunidades por mais de 18 municípios. São os 
Tremembés em Almofala, Acaraú, Itapipoca e Itarema; 
Tapebas em Caucaia; 
Pitaguaris em Maracanaú e Pacatuba;
Jenipapos-Canindés às margens da lagoa do Encantado, em Aquiraz; 
Tabajaras em Crateús, Poranga, Monsenhor Tabosa e Ipueiras; 
Paiacus em Aquiraz e Pacajus; 
Canindés em Aratuba e Canindé; 
Calabaças em Crateús; 
Potiguaras em Monsenhor Tabosa, Novo Oriente, Tamboril e Crateús; 
Cariris em Crateús; 
Anacés, em São Gonçalo do Amarante; e
os Tupinambás, na região de Crateús. 

Esses povos ainda lutam pelo reconhecimento de sua identidade, a manutenção do pouco que sobrou do seu patrimônio cultural e, sobretudo, a demarcação de terras historicamente a eles pertencentes. Cinco séculos depois da invasão portuguesa, a resistência indígena continua...


Extraído do livro de Aírton de Farias 
História do Ceará